sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Porque lês blogs, Picante?

Porque, em lendo blogs, fico a saber que há quem recomende chinelos de quarto como bonitos acessórios de casamento, quem se deixe fotografar de negligé e nos faça crer que aquilo é um vestido em bom para o Natal, quem faça questão de quase nos mostrar as cuecas para nos tentar vender uma porcaria qualquer para o cabelo, quem não tenha pudor em fotografar o filho na retrete por causa de umas toalhitas que ainda por cima são uma desgraça para o ambiente e claro, quem não perceba nada de nada como funciona a noite em Lisboa embora pense que sim.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Picante pergunta

As recentes contaminações de legionella que já resultaram em óbitos são culpa do actual Governo? Ou foram só as de há uns anos que foram culpa do PSD? Ou será que estas são ainda decorrentes da governação anterior?

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

De todas as coisas que não percebo

Uma das que mais me preocupa é como é que um tipo condenado por violência doméstica e por denúncia caluniosa, um tipo que faz alienação parental, que é pulha ao ponto de não hesitar em maltratar e vilipendiar a mãe dos seus filhos na comunicação social, um crápula que manipula as crianças para atingir a ex-mulher, como é que um tipo destes mantém a guarda de um filho e pede a do outro? Como?

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Não sei o que me dá mais gozo, se ler estas pérolas de ironia, se os comentários da perigosa esquerdalha a espumar


Se fosse uma personagem de ficção, o dr. Costa seria exagerado e o seu autor arrasado pela crítica. Ninguém acreditaria em criatura tão primária e paródica. O dialecto é demasiado pobre. O oportunismo é demasiado infantil. O provincianismo é demasiado caricatural. O descaramento é demasiado forçado. A ambição é demasiado brutal. A manha é demasiado ostensiva. O ridículo é demasiado evidente. A perversidade é demasiado tosca. O estilo é demasiado repulsivo. A boçalidade é demasiado boçal. A desumanidade é demasiada, ponto. Tudo no dr. Costa, das roupas aos risos e dos truques às palavras (digamos), se confunde com um boneco, ou o estereótipo superficial de um político grotesco.
O dr. Costa, em suma, é mau demais para ser mentira. Infelizmente, como estamos em Portugal, é péssimo o suficiente para ser verdade. E a crítica da especialidade, que alucinadamente começou por atribuir ao homem inconcebíveis virtudes, ainda não terminou de venerá-lo – apenas conteve a veneração durante a semana, já que, parecendo que não, cento e tal mortos sempre impõem algum recato.
É certo que nos longos anos que leva de “carreira”, que aliás recorda com misterioso orgulho, não faltam provas do – desculpem o termo – carácter do dr. Costa. Porém, a fim de evitar canseiras, a trágica cronologia dos incêndios de 2017 chega e sobra para fundamentar um argumento.
A título de contexto, há o passado do dr. Costa na Administração Interna, onde cometeu a proeza de agravar trapalhadas herdadas do dr. Santana e, com típica leveza (para dizer o mínimo), consagrou o SIRESP às três pancadas e, por influência de um amigo e da impunidade, adquiriu os portentosos Kamov. E há o radioso momento em que, semanas antes do último Verão, o dr. Costa trocou as chefias da Protecção Civil por amigos (ele tem muitos) de reconhecida competência. E há Pedrógão Grande. E há a resposta do dr. Costa às vítimas de Pedrógão Grande, abandonadas a protectores que não protegem, um sistema de segurança que não funciona e helicópteros que não voam enquanto Sua Excelência desfilava calções e compaixão numa praia espanhola. E há a conversa fiada e as promessas reles que o dr. Costa despejou sobre os escombros de uma das maiores calamidades registadas do género. E há, quatro meses depois, uma calamidade quase idêntica em dimensão e incúria. E há a criminosa arrogância do dr. Costa, que, inchado pela vitória nas “autárquicas”, redobrou o desdém face aos que o maçam com ninharias (“Ó minha senhora, não me faça rir a esta hora”). E há a pedagógica “comunicação” ao país, na qual exibiu um cinismo que, em cérebro superior ao de um laparoto, talvez sugerisse indícios de psicopatia. E há a demissão, em último recurso, da ministra da Administração Interna, uma inultilidadezinha versada em disparates, e o tapete de que o dr. Costa se serviu para esconder o lixo. E há a substituição da ministra em prol de um amigo do dr. Costa (não disse que são imensos?), garanhão celebrizado por chamar “frígida” a uma adversária. E há, sobretudo, a reacção apressada ao ralhete do prof. Marcelo, encenada numa sessão parlamentar em que o dr. Costa tentou fingir que chorava e conseguiu demonstrar aos distraídos o indivíduo extraordinariamente lamentável que de facto é.
E agora? Nada de especial. É verdade que, ao mesmo tempo que os fiéis do dr. Costa hesitavam entre louvar o dr. Costa, simular críticas que “legitimassem” louvores futuros ou culpar Trump e o PSD pelas chamas, meia dúzia de socialistas confessaram embaraço tardio e parte do povo resmungou impropérios. Mas só. Recentemente, na Galiza, quatro cadáveres carbonizados bastaram para que multidões saíssem à rua. Por cá, as exéquias fazem-se na televisão: nem uma centena e tanto de mortos remove os portugueses de casa. E em será em casa que, se não houver bola, na terça-feira os portugueses assistirão à moção de censura do CDS ser rejeitada pelos votos do PS, do PCP e do BE. Faz sentido. O dr. Costa alcançou o poder amparado em organizações historicamente indiferentes, ou até avessas, à vida humana. É natural, e um retrato adequado da personagem, que o preserve por igual via. Quem aceita o assassínio de milhões nunca se incomodaria perante dezenas de baixas descartáveis e remotas. Isto faz, repito, sentido. O que não faz sentido é que o dr. Costa se julgue no direito de governar pessoas minimamente saudáveis ou sequer de conviver com elas. O que não faz sentido é que a sociedade que tolera ou defende tamanho monumento à baixeza se imagine civilizada. O que não faz sentido é que esta apatia com fronteiras se suponha um país.

Nota de rodapé:

Numa medida que já tardava, o PCP impôs ao Parlamento a protecção legal do arroz carolino. Além de também ser a minha gramínea favorita, folgo em ver os camaradas ortodoxos arriscarem o trilho do puritanismo até agora reservado aos camaradas heterodoxos do BE e a uma dúzia de camaradas envergonhados do PS. Por outro lado, deve reconhecer-se que a gloriosa experiência dos comunistas em matéria de dietas não nasceu hoje: há por ali sapiências ancestrais que tornam o emagrecimento inevitável. São muitos anos a virar frangos, ou, mais precisamente, a trocá-los por senhas de racionamento.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Ainda sou do tempo

Em que os rapazes se divertiam a medir pilinhas. Agora não, agora medem o nível de cidadania e altruísmo.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Deixa-te estar quieto

Não enchas automóveis com água, comida, roupas ou itens inúteis como panelas, pratos, brinquedos ou livros. Não agarres em ti e não vás até ao interior do país. Não faças donativos em dinheiro. Não te manifestes, acima de tudo não de manifestes, não digas ao Governo que o Estado falhou em toda a linha na sua função mais básica - a de proteger o povo. 
Qualquer coisa que faças é pura hipocrisia, afinal, quando dás a tua roupa, os teus livros, o teu dinheiro ou o teu tempo, apenas o fazes para te sentir melhor, quiçá para fazer uma limpeza aos armários e libertar espaço para os fatos novinhos em folha, que comprarás numa qualquer loja da Avenida da Liberdade. Deixa as pessoas em paz, afinal podem sempre esperar que a protecção civil apareça e que o Estado aja. Se esperarem quatro ou cinco dias, não se passa nada, tu tens mais é que ir sentir o odor a madeira queimada, cegar enquanto conduzes pelos outrora belos caminhos Portugueses ou ficar em casa, calado de preferência. Deixa-te estar quieto, não sei se já disse.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Em pouco menos de nada dirão que a culpa também é do PSD, que isto não passa de uma manobra da direita para fazer cair o Governo

E lá estávamos nós, a ouvir dizer que Tancos tinha sido assaltado e que eram armas de grande calibre, e nós a achar que era inadmissível, mas que grande incompetência, e depois o Costa e o Ministro disseram que afinal não era grave, que as armas eram obsoletas e ninguém iria morrer, mais um bocadinho e aposto que diriam que os ladrões até nos fizeram um favor em nos ter libertado de armas que não funcionavam, logo a seguir explicam-nos que afinal não houve roubo nenhum, ou que ninguém sabia se tinha ou não havido roubo, agora não se me lembra bem derivado de isto ultimamente serem muitos acontecimentos, cada um mais hilariante que o anterior, mas parece que, depois de Portugal ter ardido, as armas obsoletas que não tinham sido roubadas apareceram para os lados da Chamusca.
Se isto tudo não fosse tão revelador da desgovernação e desvergonha desta gente, até teria piada.